domingo, 11 de julho de 2010

Ele é o barão da gastronomia

Um restaurante que revogou o menu; derrubou as paredes da cozinha; e apostou numa decoração que chega a ser simples de tão requintada (ou seria o oposto?). Surpreendente em todos os sentidos. Só assim para descrever o restaurante petropolitano que tem em suas peculiaridades o grande diferencial: o Barão Gastronomia é ímpar. Mesmo numa cidade que esbanja opções gastronômicas, o Barão tem um charme que é só dele.

E regras idem. Nem adianta bater à porta do restaurante para jantar. O chef só atende com hora marcada. Uma vez à mesa, o cliente pode até sugerir preferência por algum sabor específico, mas o prato final sairá única e exclusivamente da cabeça do Barão.

E se um dos acompanhamentos for rejeitado? Com seu jeito boa-praça, sorriso no rosto que só desaparece quando o chef está compenetrado diante da panela, ele  convencerá o visitante a experimentar a primeira garfada  a que, invariavelmente, segue-se outra e mais outra... O valor a ser pago é determinado pelo número de pratos, todos elaborados na frente do cliente, numa cozinha totalmente aberta para o salão.

Alessandro Soares Vieira é conhecido como Barão desde a maternidade, quando chegou ao mundo já surpreendendo. Sua mãe estava grávida de gêmeos, não sabia e levou sete dias para se decidir pelos nomes do menino e da menina. Impaciente, o pai resolveu chamá-los de barão e baronesa, temporariamente. Nele, o apelido pegou, enquanto a irmã, criadora dos móveis do restaurante (todos à venda), ficou conhecida por seu nome mesmo, Alessandra. Foi em família que descobriu sua vocação para a cozinha.

— Minha vó, diante do fogão a lenha, já me chamava a atenção. Achava aquilo bonito. Eu me lembro dela guardando a carne em latas de banha, quando ainda não havia geladeira. Nos Natais em família, comecei a ajudar minha mãe com aqueles banquetes típicos da época — conta.

Obstáculos não faltaram. O pai, caminhoneiro, não gostava nada da ideia de o filho virar cozinheiro. Sem dinheiro, Barão não tinha como investir em cursos:

— Foi quando tracei uma meta: decidi que  trabalharia com os melhores chefs, e essa seria a minha escola.

Deu certo. Passou pelas cozinhas de Danio Braga e Claude Troisgros, “com quem só não aprende quem não quer”. No Locanda della Mimosa, começou lavando pratos. Aos poucos, foi conquistando o seu espaço. Hoje, o restaurante Barão Gastronomia serve pratos com ingredientes regionais, temperados com um toque francês, e é marcado ainda pela presença de carnes exóticas como javali, jacaré, rã, escargot e outras tantas. A novidade que vem por aí é o cervo, como ele mesmo adianta.

— Tudo devidamente autorizado pelo Ibama, claro — avisa.

O restaurante se mudou recentemente para a nobre União e Indústria, em Itaipava. A antiga casa ocupada, em Areal, se transformará numa escola de gastronomia, com aulas gratuitas para a região. Foi no bairro de Petrópolis que o Barão nasceu e onde mora até hoje.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Pura adrenalina

Frequentei, durante minha adolescência, o Parque da Catacumba, na Lagoa. Costumava aproveitar as tardes, depois do colégio, para subir até o mirante. Depois disso, nunca mais voltei por lá. O parque é lindo, conta com esculturas de artistas como Franz Weissmann e Sérgio Camargo, mas não costuma ser muito frequentado. Talvez por ficar num lugar com cara de passagem - na Avenida Epitácio Pessoa, 3000, bem em frente a um posto de gasolina. O parque, no entanto, tem chance de entrar para o roteiro de muitas famílias e de aventureiros.

Ele acaba de ganhar um complexo de turismo de aventura desenvolvido no modelo da experiência do Parque Nacional Foz do Iguaçu. Não oferece nada tão eletrizante como as cataratas, mas caminhar a nove metros do chão, sobre um arame ou toras de madeira móveis, testando o equilíbrio ao longo de cem metros de percurso não é nada tranquilo. Confere só o meu drama encarando o desafio, que num primeiro momento até me pareceu fácil (veja o vídeo).

Andam criticando por aí a interferência das atrações na natureza, mas acho besteira. Os brinquedos são feitos de madeira propositadamente, para se camuflarem no meio do mato. Tem tirolesa (R$ 10), muro de escalada (R$ 15), arvorismo adulto (R$ 30) e infantil (R$ 20) e rapel (R$ 40). Pagando R$ 75, o viositante tem direito a experimentar todas as atividades, sob concessão da Lagoa Aventuras.

Vale a pena ir lá conferir.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Caminho das pedras do Detran

Sair de casa, do trabalho, do curso, da praia, seja lá de onde for com a chave do carro na mão, chegar ao lugar onde estacionou e... cadê meu carro? Não há nada pior, certo? Errado, o pior ainda está por vir.

Se você já teve o carro rebocado, deve estar entendendo onde eu quero chegar. Então, eis o caminho das pedras para quem precisa recuperar o próprio automóvel. E cuidado, vai ter gente fazendo de tudo para atrapalhar sua missão.

1. Vá ao Detran na Avenida Presidente Vargas, 817, Centro. No térreo haverá várias portinhas, cada uma cumpre uma finalidade. Procure a que guarda vários caixas eletrônicos.

2. Lá, tire a guia de tudo que você deve no carro (multas não pagas, IPVA atrasado etc). Você deverá estar com o Renavam do veículo em mãos.

3. Olhando para o Detran, vá para o última porta à direita. Um atendente suuuuupersolícito praticamente jogará um papel em cima de você quando explicar seu problema. É importante que você se esforce para pegá-lo. Ele será útil.

3. Lá estarão descritos todos os documentos dos quais você precisará de cópias. Faça no mínimo três de cada, senão quatro. Você não irá se arrepender.

4. Atravesse a Presidente Vargas e, do outro lado, entre na Rua dos Andradas. No segundo quarteirão, você encontrará no lado direito da rua uma entrada grande de um prédio comercial. É a única. Pode entrar.

5. Suba um lance de escada e procure a porta da CET-Rio. Lá, pegue a guia de pagamento das diárias no estacionamento da companhia de tráfego. Melhor sentar na cadeira: a vaga no depósito te custará R$ 45 por dia. Então é melhor resolver tudo bem rapidamente. Se você foi rebocado na sexta-feira, um abraço.

6. Há uma loja de xerox pertinho da CET-Rio. Vá nessa que é mais barata do que a do lado do Detran.

7. Vá ao banco e pague tudo o que deve. Dói no bolso, mas é necessário.

8. A partir de agora, só o proprietário do veículo poderá seguir adiante. Volte ao Detran, mostre tudo pago e pegue um documento de nada consta.

9. Volte à CET-Rio e pegue um último documento. É... é uma prova para você ver até onde você vai pelo seu carro. Mas tá no fim...

10. Lá você vai saber onde está o seu carro e receberá a guia de recolhimento. Tem que pagar para tirar o carro. Vá para o banco e pague, sem pestanejar. Você está prestes a dar o último passo.

11. Se dirija ao depósito indicado na CET-Rio, mostre todos os documentos e, enfim, você terá seu carro de volta.

Não é à toa que dizem: um carro te dá duas felicidades. Uma quando você o compra e outra quando você o vende.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Dá licença que eu quero passar

"Infelizmente, é a necessidade. Ninguém tá aqui por opção". Essa fala pode ser imaginada na boca de alguém em situação de subemprego ou numa fila quilométrica. Quem sabe pedindo esmolas na rua. Nada disso! Ouvi a constatação resignada numa sexta-feira, às 18h30, no Metrô Rio sentido Zona Norte.

Maria de Lourdes havia entrado no 4º carro na estação Carioca, depois de 6 horas de trabalho em uma central de telemarketing. Acostumada a ouvir um sem número de reclamações, xingamentos e todo tipo de grosseria ao longo do expediente, para ela a viagem de volta para casa é, sem dúvida, a pior parte do dia.

O tema prosseguiu entre a Uruguaiana e a Central - apenas duas estações de distância uma da outra, mas o suficiente para se perguntar que mal fizemos a deus. "Eu já aprendi. Para entrar sempre fecho o paletó, porque já quase o perdi uma vez. Imagina o prejú".

Dessa vez, quem contribuía para o diálogo era Wellington, bem mais novo, funcionário de uma empresa de informática. Seu medo não é o de ser roubado, mas de que a vestimenta seja carregada pela manada de pessoas ansiosas por entrar no vagão. "Também não quero ficar preso na porta", e riu.

A essa altura, um amontoado de gente, sem possibilidade sequer de mover um braço, ou uma perna, acompanhava a conversa e ria junto. Eu inclusive. Curioso como as ondas humanas que entram a cada parada do Metrô empurram quem é que esteja na frente rindo da situação. Quem é comprimido do lado de dentro acaba rindo também, provavelmente de nervoso, com exceção de um ou outro que pede calma - aos berros.

"Já tá chegando a Central. Aqui todo mundo desce. Por falar nisso, será que a gente consegue chegar na porta?", se mostrava preocupada Maria de Lourdes, já com os seus 50 anos. Wellington não tem dúvida. "Claro. É aí que começa o 'dá licença'. Depois é só empurrar".

Maria de Lourdes parecia não se adequar tanto ao método, mas o acompanhou. De fato, a partir dali, o Metrô segue bem mais vazio. Por sorte, meu destino é a Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio, e ainda assisto mais uma leva considerável descer no Estácio, rumo à linha 2.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nova onda

Dia de mar flat - sem onda. Costuma ser o fim do mundo para surfistas. Não mais para um grupo, maior a cada dia, que lançou moda no Rio, atraindo para cima de uma prancha pessoas que nunca haviam ousado dropar uma onda. A turma é adepta do Stand Up (SUP).

Quem costuma se refestelar nas areias do Posto 3 da Praia da Barra já deve ter notado uns caras deslizando sobre as águas, o tempo todo de pé sobre a prancha e com um remo em punho. Nos dias em que o mar está como uma piscina, a glória para os banhistas, o grupo aproveita para fazer travessias, como de Ipanema à Urca, ou dar um pulo nas Ilhas Cagarras.

"Não há quem não se renda a um convite para visitar a remo uma ilha próxima. As pessoas se sentem um pouco como Robinson Crusoé", conta Marcelo Kaneca, que fabrica pranchas desde 1968, e há dois anos se especializou na confecção de pranchões SUP.

O equipamento é inspirado nas canoas havaianas, que, lá mesmo, na capital do surfe, foram adaptadas para deslizar nas ondas. O resultado é uma prancha bem mais larga e comprida do que as convencionais. Consequentemente, facilita a vida dos iniciantes. A única dificuldade é encontrar o equilíbrio a cada remada. “Costumo dizer que, se você não for um quadrúpede, conseguirá ficar em pé nos primeiros 15 minutos”, completa Kaneca.

E não faltam pessoas dispostas a testar a teoria do shaper. O grupo Natiruts, autor da música Surfista do lago Paranoá, já deve estar vendo pranchas chegarem em Brasília, um dos principais compradores de Kaneca, ao lado de Minas Gerais. Se não tem mar, vai de lago e rio mesmo.

Remadão imbatível

A prancha funciona quase como um canoa, deslizando sobre a água com a ajuda do remo, uma extensão do braço. Cada remada dentro d’água equivale a cinco braçadas, o que garante mais agilidade dentro d’água. Fica mais fácil, inclusive, entrar na onda. O uso do remo, quando colocado na água com a prancha em velocidade, proporciona manobras radicais. O desafio é não largar o instrumento nas quedas.

Mas o que vem encantando surfistas experientes é a nova perspectiva de visão do praticante do SUP. De pé, o adepto pode contemplar o horizonte, ou ver peixes, em dias de água clara. Sem contar que o esporte é o sonho de qualquer fisioterapeuta por trabalhar – e muito – músculos de diversas partes do corpo, como pernas, abdômen, coluna e braço.

O disseminador do surfe Rico de Souza é um dos entusiastas da nova modalidade. Ele confeccionou sua primeira prancha de SUP há três anos, para Eraldo Gueiros, famoso big rider brasileiro. No ano passado, Rico organizou os dois primeiros campeonatos de SUP no Brasil, um deles no Rio, durante o Petrobras Longboard Classic. “As crianças e mulheres têm tido muita facilidade em aprender”, conta Rico.

Isso não quer dizer que o esporte seja bobinho. Julio Tedesco está aí para comprovar isso. O dentista é adepto do skydiving e pratica SUP há um ano. “Não sou um cara de fazer esporte bobinho”, diz. Vai encarar? É só aparecer no Posto 3 da Barra, no sábado pela manhã, que, certamente, encontrará quem o ajude com as primeiras dicas.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sente a maresia

Por falar em orla carioca, os bares e restaurantes praianos merecem um post à parte. Restaurantes árabes, chineses, italianos, fora os que se intitulam internacionais, disputam cada centímetro de pedra portuguesa.

"Temos comida espanhola, lusitana, francesa, veneziana e, claro, brasileira", vende-se com atochado sotaque espanhol, Henrique Abellera Rivas, sócio do Mabs, campeão em variedade no cardápio. O Arab faz seu próprio pão pita quentinho, na hora, a gosto do freguês. O Chinese Palace é o único lugar na cidade em que você decerto se sentirá desarticulado por não falar chinês.

Vamos ao mapa gastronômico da orla:

Casa dos artistas

Ao chegar, os clientes do La Fiorentina são recebidos por Ary Barroso - em bronze. Nas pilastras que sustentam a construção de pé direito alto, registros de personalidades como Nara Leão, Dercy Gonçalves, Roberto Menescal e Ariano Suassuna. Detalhistas vão demorar para conseguir pedir o prato na casa famosa por receber artistas e intelectuais nos anos 60, 70 e 80. Até hoje, porém, é possível sentir a presença da turma. No cardápio (imitando um jornal, com anúncio de peças em cartaz), há pratos como o camarão ao catupiry chamado Gloria Perez. "Por que ela gosta, ué!", diz o gerente José Pereira.

Av. Atlântica, 458-A, Leme
Tel.: 2543-8395

Italianíssimo

Humberto Vegetti veio da impessoal Milão, aos 25 anos, trazendo a verdadeira culinária italiana para o calor de Copacabana. Para ele, a maior parte dos retaurantes não segue as receitas típicas. No Da Brambini,a massa é caseira e os ingredientes importados de sua terra natal. Apesar de não abrir mão do sabor italiano, Vegetti não troca o Rio por nada. Ele é casado com uma brasileira e só vai à Itália para visitar a família. "Adoro o carnaval, o sol e o jeito carioca. Milão é uma porcaria".
Av.Atlântica, 514-B, Leme.
Tel.: 2275-4346

Mais de 100 pratos

Tem rã, coelho, cordeiro, pato e o que mais o freguês imaginar. O Mabs, nome composto pela letra inicial do nome dos quatro espanhóis sócios da casa, oferece 100 pratos no cardápio, fora entradas, pizzas, sanduíches, sobremesas e até café da manhã. Nem eles sabiam que eram tantos. No fim, os carros-chefes da casa são mesmo o cozido e a feijoada.
Av. Atlântica, 1140, Copacabana.
Tel.: 2275-7299
Negócio da China

"Não tem comida boa no Rio de Janeiro". A afirmação vem da China. Ou quase. O oriental Paulo Huang, há 30 anos no Brasil, completa: "Comida boa aqui, só mesmo no meu restaulante. Eu sou muito bom cozinheilo". A amostra está no Chinese Palace.
Av. Atlântica, 1212-A, Copacabana.
Tel.: 2265-0145

Pita Quente

Basta entrar no Arab e o freguês já sente o cheiro de pão árabe saindo do forno no fundo do salão. O lugar chama atenção também pela decoração com tapetes, castiçais, narguilês e dezenas de objetos garimpados e trazidos pela proprietária Vivian Arab. O sobrenome (real) significa "povos de lugares inóspios", diz ela. No menu estão as receitas que vêm de família, uma mistura de sírios e libaneses.
Av. Atlântica, 1935, Copacabana.
Tel.: 2235-6698

Sesta sagrada

Comer no Don Camillo significa apreciar sabores desenvolvidos a partir dos ensinamentos que o chef José Matias da Silva recebeu do mestre Angelo Neroni, fundador da casa. Mas nada de passar pelo restaurante entre as 15h e 17h se quiser comer pratos feitos diretamente das mãos do craque. A sesta é sagrada para o homem que também comandou os fogões do Satyricon, em Ipanema. Por isso, descansa no local de trabalho, aproveitando o quentinho do lugar.
Av. Atlântica, 3056, Copacabana.
Tel.: 2549-9958

O cult

O bar e restaurante Atlântico faz parte do roteiro de gente como o stylist Felipe Veloso e da princesa Paola de Orleans e Bragança - aquele tipo de gente descolada, sabe?
Av. Atlântica, 3880, Copacabana.
Tel.: 2513-2485

Hype para o mar

O Azul Marinho é badalado, mas reservado. Lá, a taça de champanhe vai até a areia se o cliente quiser. Como reúne características tão conraditórias? Da mesma forma que tem um ambiente elegante e praiano, com um ar de... fazenda!
Rua Francisco Bering, sem número, Arpoador.
Tel.: 2513-5014

4 em 1

O Marina tem três restaurantes com perfis distintos, todos virados para o mar. E mais um, na moita, para poucos e bons.
  •  No Bar da Praia, o clima é casual e o aroma, de maresia, faz sucesso há 10 anos na varanda do Marina Palace.  
  • OVizta é um restaurante sofisticado no segundo andar, também do Marina Palace. Sem exageros na conta. "Queremos que as pessas possam tomar vinho a um preço justo e experimentem uma gastronomia contemporânea e exclusiva", explica o chef executivo Felipe Bronze.
  • Os drinks roubam a cena no Bar D'Hôtel, restaurante cool do Marina All Suites. Cada estação tem novidades. 
Av. Delfim Moreira, 630 e 696, Leblon. 
Tel.: 2172-1000

Pra frente Brasil

O chorinho, pedido tantas vezes por clientes, veio por fim com o fechamento do tradicionalíssimo Caneco 70, no Leblon, em 2006. No lugar do bar que festejava o tricampeonato mundial da seleção de Pelé e companhia surgiu um prédio. O edifício enterrou na boemia de um dos cantinhos mais gostosos da cidade. E que ninguém esquece.
Av. Delfim Moreira, 1026.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Das praias perdidas

Quem limita a orla carioca ao trecho que vai do Leme ao Pontal não sabe o que está perdendo. E não falo da Prainha, nem de Grumari, mas de três praias selvagens que deixam qualquer Garota de Ipanema com uma baita inveja. Para chegar lá, só percorrendo aproximadamente meia hora de trilha tranquila, tranquila.

A subida pesada mesmo é percorrida de carro. O negócio é engatar a primeira e acreditar. No final da Praia de Guaratiba, siga pela esquerda e suba até o bar do Zequinha. Lá, pode perguntar para qualquer um – todos te mostrarão o ponto de partida com um sorriso no rosto. Muito em função das cervejinhas que um belo dia de sol proporcionam.

A trilha não tem bifurcações... não dá para se perder. No meio do caminho, uma nascente cumpre o papel de fonte de água doce para algumas famílias que aproveitam um fim de semana ensolarado para partir de mala e cuia para lá. A praia é selvagem, mas nem um pouco solitária. De qualquer forma, o camping improvisado não chega a atrapalhar o passeio.

A turma fica mesmo na Perigosa, primeira das praias, localizada aos pés da montanha chamada de Tartaruga. Lá de cima, a vista é sensacional. Desce tudo e de volta na trilha. Mais alguns minutinhos no mato, eis que surge a Praia do Meio, sabe-se lá por que a mais famosinha. Por último, nada mais nada menos que o Inferno e, quem diria, por lá é um refresco só.

Vale a pena tirar a lancheira do mofo e partir para a aventura. O passeio é para um dia inteiro, o que exige aquele pique-nique com sanduíches, bolo pronto e muita água. Na volta para casa, a única dor de cabeça é manobrar naquela rua estreeeeita lá de cima de Barra de Guaratiba. Mas aquele mesmo parceiro, ainda mais alegre com as cervejas e o churrasco no fim da tarde, com certeza fará questão de prestar auxílio ao ilustre visitante.

Foto: Robert Handasyde