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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nova onda

Dia de mar flat - sem onda. Costuma ser o fim do mundo para surfistas. Não mais para um grupo, maior a cada dia, que lançou moda no Rio, atraindo para cima de uma prancha pessoas que nunca haviam ousado dropar uma onda. A turma é adepta do Stand Up (SUP).

Quem costuma se refestelar nas areias do Posto 3 da Praia da Barra já deve ter notado uns caras deslizando sobre as águas, o tempo todo de pé sobre a prancha e com um remo em punho. Nos dias em que o mar está como uma piscina, a glória para os banhistas, o grupo aproveita para fazer travessias, como de Ipanema à Urca, ou dar um pulo nas Ilhas Cagarras.

"Não há quem não se renda a um convite para visitar a remo uma ilha próxima. As pessoas se sentem um pouco como Robinson Crusoé", conta Marcelo Kaneca, que fabrica pranchas desde 1968, e há dois anos se especializou na confecção de pranchões SUP.

O equipamento é inspirado nas canoas havaianas, que, lá mesmo, na capital do surfe, foram adaptadas para deslizar nas ondas. O resultado é uma prancha bem mais larga e comprida do que as convencionais. Consequentemente, facilita a vida dos iniciantes. A única dificuldade é encontrar o equilíbrio a cada remada. “Costumo dizer que, se você não for um quadrúpede, conseguirá ficar em pé nos primeiros 15 minutos”, completa Kaneca.

E não faltam pessoas dispostas a testar a teoria do shaper. O grupo Natiruts, autor da música Surfista do lago Paranoá, já deve estar vendo pranchas chegarem em Brasília, um dos principais compradores de Kaneca, ao lado de Minas Gerais. Se não tem mar, vai de lago e rio mesmo.

Remadão imbatível

A prancha funciona quase como um canoa, deslizando sobre a água com a ajuda do remo, uma extensão do braço. Cada remada dentro d’água equivale a cinco braçadas, o que garante mais agilidade dentro d’água. Fica mais fácil, inclusive, entrar na onda. O uso do remo, quando colocado na água com a prancha em velocidade, proporciona manobras radicais. O desafio é não largar o instrumento nas quedas.

Mas o que vem encantando surfistas experientes é a nova perspectiva de visão do praticante do SUP. De pé, o adepto pode contemplar o horizonte, ou ver peixes, em dias de água clara. Sem contar que o esporte é o sonho de qualquer fisioterapeuta por trabalhar – e muito – músculos de diversas partes do corpo, como pernas, abdômen, coluna e braço.

O disseminador do surfe Rico de Souza é um dos entusiastas da nova modalidade. Ele confeccionou sua primeira prancha de SUP há três anos, para Eraldo Gueiros, famoso big rider brasileiro. No ano passado, Rico organizou os dois primeiros campeonatos de SUP no Brasil, um deles no Rio, durante o Petrobras Longboard Classic. “As crianças e mulheres têm tido muita facilidade em aprender”, conta Rico.

Isso não quer dizer que o esporte seja bobinho. Julio Tedesco está aí para comprovar isso. O dentista é adepto do skydiving e pratica SUP há um ano. “Não sou um cara de fazer esporte bobinho”, diz. Vai encarar? É só aparecer no Posto 3 da Barra, no sábado pela manhã, que, certamente, encontrará quem o ajude com as primeiras dicas.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sente a maresia

Por falar em orla carioca, os bares e restaurantes praianos merecem um post à parte. Restaurantes árabes, chineses, italianos, fora os que se intitulam internacionais, disputam cada centímetro de pedra portuguesa.

"Temos comida espanhola, lusitana, francesa, veneziana e, claro, brasileira", vende-se com atochado sotaque espanhol, Henrique Abellera Rivas, sócio do Mabs, campeão em variedade no cardápio. O Arab faz seu próprio pão pita quentinho, na hora, a gosto do freguês. O Chinese Palace é o único lugar na cidade em que você decerto se sentirá desarticulado por não falar chinês.

Vamos ao mapa gastronômico da orla:

Casa dos artistas

Ao chegar, os clientes do La Fiorentina são recebidos por Ary Barroso - em bronze. Nas pilastras que sustentam a construção de pé direito alto, registros de personalidades como Nara Leão, Dercy Gonçalves, Roberto Menescal e Ariano Suassuna. Detalhistas vão demorar para conseguir pedir o prato na casa famosa por receber artistas e intelectuais nos anos 60, 70 e 80. Até hoje, porém, é possível sentir a presença da turma. No cardápio (imitando um jornal, com anúncio de peças em cartaz), há pratos como o camarão ao catupiry chamado Gloria Perez. "Por que ela gosta, ué!", diz o gerente José Pereira.

Av. Atlântica, 458-A, Leme
Tel.: 2543-8395

Italianíssimo

Humberto Vegetti veio da impessoal Milão, aos 25 anos, trazendo a verdadeira culinária italiana para o calor de Copacabana. Para ele, a maior parte dos retaurantes não segue as receitas típicas. No Da Brambini,a massa é caseira e os ingredientes importados de sua terra natal. Apesar de não abrir mão do sabor italiano, Vegetti não troca o Rio por nada. Ele é casado com uma brasileira e só vai à Itália para visitar a família. "Adoro o carnaval, o sol e o jeito carioca. Milão é uma porcaria".
Av.Atlântica, 514-B, Leme.
Tel.: 2275-4346

Mais de 100 pratos

Tem rã, coelho, cordeiro, pato e o que mais o freguês imaginar. O Mabs, nome composto pela letra inicial do nome dos quatro espanhóis sócios da casa, oferece 100 pratos no cardápio, fora entradas, pizzas, sanduíches, sobremesas e até café da manhã. Nem eles sabiam que eram tantos. No fim, os carros-chefes da casa são mesmo o cozido e a feijoada.
Av. Atlântica, 1140, Copacabana.
Tel.: 2275-7299
Negócio da China

"Não tem comida boa no Rio de Janeiro". A afirmação vem da China. Ou quase. O oriental Paulo Huang, há 30 anos no Brasil, completa: "Comida boa aqui, só mesmo no meu restaulante. Eu sou muito bom cozinheilo". A amostra está no Chinese Palace.
Av. Atlântica, 1212-A, Copacabana.
Tel.: 2265-0145

Pita Quente

Basta entrar no Arab e o freguês já sente o cheiro de pão árabe saindo do forno no fundo do salão. O lugar chama atenção também pela decoração com tapetes, castiçais, narguilês e dezenas de objetos garimpados e trazidos pela proprietária Vivian Arab. O sobrenome (real) significa "povos de lugares inóspios", diz ela. No menu estão as receitas que vêm de família, uma mistura de sírios e libaneses.
Av. Atlântica, 1935, Copacabana.
Tel.: 2235-6698

Sesta sagrada

Comer no Don Camillo significa apreciar sabores desenvolvidos a partir dos ensinamentos que o chef José Matias da Silva recebeu do mestre Angelo Neroni, fundador da casa. Mas nada de passar pelo restaurante entre as 15h e 17h se quiser comer pratos feitos diretamente das mãos do craque. A sesta é sagrada para o homem que também comandou os fogões do Satyricon, em Ipanema. Por isso, descansa no local de trabalho, aproveitando o quentinho do lugar.
Av. Atlântica, 3056, Copacabana.
Tel.: 2549-9958

O cult

O bar e restaurante Atlântico faz parte do roteiro de gente como o stylist Felipe Veloso e da princesa Paola de Orleans e Bragança - aquele tipo de gente descolada, sabe?
Av. Atlântica, 3880, Copacabana.
Tel.: 2513-2485

Hype para o mar

O Azul Marinho é badalado, mas reservado. Lá, a taça de champanhe vai até a areia se o cliente quiser. Como reúne características tão conraditórias? Da mesma forma que tem um ambiente elegante e praiano, com um ar de... fazenda!
Rua Francisco Bering, sem número, Arpoador.
Tel.: 2513-5014

4 em 1

O Marina tem três restaurantes com perfis distintos, todos virados para o mar. E mais um, na moita, para poucos e bons.
  •  No Bar da Praia, o clima é casual e o aroma, de maresia, faz sucesso há 10 anos na varanda do Marina Palace.  
  • OVizta é um restaurante sofisticado no segundo andar, também do Marina Palace. Sem exageros na conta. "Queremos que as pessas possam tomar vinho a um preço justo e experimentem uma gastronomia contemporânea e exclusiva", explica o chef executivo Felipe Bronze.
  • Os drinks roubam a cena no Bar D'Hôtel, restaurante cool do Marina All Suites. Cada estação tem novidades. 
Av. Delfim Moreira, 630 e 696, Leblon. 
Tel.: 2172-1000

Pra frente Brasil

O chorinho, pedido tantas vezes por clientes, veio por fim com o fechamento do tradicionalíssimo Caneco 70, no Leblon, em 2006. No lugar do bar que festejava o tricampeonato mundial da seleção de Pelé e companhia surgiu um prédio. O edifício enterrou na boemia de um dos cantinhos mais gostosos da cidade. E que ninguém esquece.
Av. Delfim Moreira, 1026.