Sair de casa, do trabalho, do curso, da praia, seja lá de onde for com a chave do carro na mão, chegar ao lugar onde estacionou e... cadê meu carro? Não há nada pior, certo? Errado, o pior ainda está por vir.
Se você já teve o carro rebocado, deve estar entendendo onde eu quero chegar. Então, eis o caminho das pedras para quem precisa recuperar o próprio automóvel. E cuidado, vai ter gente fazendo de tudo para atrapalhar sua missão.
1. Vá ao Detran na Avenida Presidente Vargas, 817, Centro. No térreo haverá várias portinhas, cada uma cumpre uma finalidade. Procure a que guarda vários caixas eletrônicos.
2. Lá, tire a guia de tudo que você deve no carro (multas não pagas, IPVA atrasado etc). Você deverá estar com o Renavam do veículo em mãos.
3. Olhando para o Detran, vá para o última porta à direita. Um atendente suuuuupersolícito praticamente jogará um papel em cima de você quando explicar seu problema. É importante que você se esforce para pegá-lo. Ele será útil.
3. Lá estarão descritos todos os documentos dos quais você precisará de cópias. Faça no mínimo três de cada, senão quatro. Você não irá se arrepender.
4. Atravesse a Presidente Vargas e, do outro lado, entre na Rua dos Andradas. No segundo quarteirão, você encontrará no lado direito da rua uma entrada grande de um prédio comercial. É a única. Pode entrar.
5. Suba um lance de escada e procure a porta da CET-Rio. Lá, pegue a guia de pagamento das diárias no estacionamento da companhia de tráfego. Melhor sentar na cadeira: a vaga no depósito te custará R$ 45 por dia. Então é melhor resolver tudo bem rapidamente. Se você foi rebocado na sexta-feira, um abraço.
6. Há uma loja de xerox pertinho da CET-Rio. Vá nessa que é mais barata do que a do lado do Detran.
7. Vá ao banco e pague tudo o que deve. Dói no bolso, mas é necessário.
8. A partir de agora, só o proprietário do veículo poderá seguir adiante. Volte ao Detran, mostre tudo pago e pegue um documento de nada consta.
9. Volte à CET-Rio e pegue um último documento. É... é uma prova para você ver até onde você vai pelo seu carro. Mas tá no fim...
10. Lá você vai saber onde está o seu carro e receberá a guia de recolhimento. Tem que pagar para tirar o carro. Vá para o banco e pague, sem pestanejar. Você está prestes a dar o último passo.
11. Se dirija ao depósito indicado na CET-Rio, mostre todos os documentos e, enfim, você terá seu carro de volta.
Não é à toa que dizem: um carro te dá duas felicidades. Uma quando você o compra e outra quando você o vende.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Pé na trilha
Adoro esses “programas de índio”. Calça molinha, tênis e mochila a postos, com lanterna, biscoitos, e muita (muita!) água: lá vou eu 710 metros morro acima. A ideia de aliviar um pouco os dois litros d’água na bagagem some quando lembro da primeira vez que, anos atrás, botei meus pés nessa trilha. Cheguei ao topo com língua e lábios grudados como papel de bala.
Longe de qualquer sacrifício, o início do percurso pode ser descrito como um passeio bastante agradável, que qualquer pessoa, acostumada a percorrer o trajeto cama-sofá, é capaz de fazer. A etapa praticamente plana tem direito a três quedas d’água, que não são das mais exuberantes, mas refrescam como só uma cachoeira é capaz.
Há alguns anos, assaltos afastaram as pessoas desta trilha. Dizem que alguns sem-teto chegaram a morar ali, meio acampados, pela falta de segurança no parque. Hoje, sabe-se lá por que, só há mato mesmo. De qualquer forma, uma vez que os micos que surgem ao longo do percurso não vendem suas bananas – até porque não há bananeiras na Mata Atlântica – é melhor deixar seu rico dinheirinho em casa.
Não dê pipoca aos macacos
Os pequenos animais por aqui, aliás, não querem dar, mas receber. Os bichos, acostumados a ser alimentados pelos visitantes, se aproximam e vão seguindo o grupo. E você já deve ter ouvido por aí: “Não dê pipoca aos macacos”. Nem banana, por favor. O ato é uma condenação para eles, uma vez que desaprendem a buscar seus próprios alimentos – insetos e frutas silvestres – além de passarem a se reproduzir em escala maior do que o normal.
A parte mais difícil da trilha está logo no final. Uma subida rochosa requer equilíbrio e cuidado. Alguns ganchos de escalada sugerem que ali já teve uma corda ou algo para ajudar na subida. Depois desse ponto mais alguns metros, chega-se ao fim da trilha, no trilho do trem. A recepção fica por conta de alguns santos – São Judas Tadeu, coitado, perdeu a cabeça e é escondido por biombos de madeira para não ser visto por quem vem de bonde. Esqueceram de tapá-lo também para quem vem da trilha. Além dele, Nossa Senhora de Aparecida e São Sebastião fazem as honras.
Fora dos trilhos
É preciso então seguir pela estrada de ferro, mas com cuidado. O trem passa de 15 em 15 minutos. Surge então a primeira recompensa. A vista da Lagoa, Praia do Leblon e de Ipanema. Vale a pausa, geralmente feita no teto de concreto de uma pequena casa, sem função aparente. Hora de repor as energias para seguir adiante. Dos trilhos avista-se pela primeira vez o Cristo.
Na entrada do monumento, uma decepção. Seguranças informam que ingressos (R$ 13) não são vendidos no local, somente 2,5 km estrada abaixo, onde os carros são obrigados a estacionar (R$ 2). Que ótimo! Não pensaram em quem vem de trilha. Uma saída é descer a pé pela estrada que desemboca no Cosme Velho. Ou pagar R$ 45 e pegar o bonde. Ou fazer o caminho de volta. Até porque, para baixo, todo santo ajuda.
Foto: Robert Handasyde
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